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Oráculo da Deusa

"Sou quem sou
E sei quem sou
Posso cuidar de mim mesma
Em qualquer circunstância
E posso deixar os outros cuidarem de mim
Posso escolher
Não existe autoridade
Mais elevada que a minha
Meu poder de discernimento é finamente aguçado
Tenho autonomia
Estou livre da influência
Da opinião dos outros
Sou capaz de separar
O que precisa de separação
Assim uma decisão lúcida
Pode ser alcançada
Penso por mim mesma
Ajusto a mira
E aponto o arco
Minhas setas sempre atingem o alvo"


Fonte: Livro Oráculo da Deusa - Editora Pensamento

Significado do Oráculo:

Ártemis atirou sua flecha de individualidade na sua vida para ajudá-la a concentrar-se em si mesma.
Você tem estado demasiadamente a serviço dos outros sem certificar-se de que conseguiu o que necessita para si mesma?
Há muito não tem um tempo ou um espaço ao seu?
Os limites da sua individualidade parecem difusos e indistintos?
Você sente que não tem direito a uma personalidade própria, mas deve sempre pensar nos outros, colocando as necessidades deles em primeiro lugar, até não saber mais quem é nem o que quer?
Agora está na hora de ser você mesma.
Está na hora de prestar atenção às vozes sussurantes das suas próprias necessidades. Está na hora de resgatar a si mesma, e celebrar e fortalecer a pessoa que você é.
Ártemis diz que a integridade é alimentada quando você honra, respeita e dedica tempo a si mesma. Ela também pergunta como você esperar atingir quaisquer alvos se não tem um eu a partir do qual atirar?
Fonte: Oráculo da Deusa - Editora Pensamento

Carla Lampert
Magdala - Grupo de Estudos de Espiritualidade Feminina
Postado em http://femininoessencial.blogspot.com/

O Dom do Fogo

Quando o grande Zeus derrubou seu pai, Cronos - como este, por sua vez, tinha derrubado seu pai, Urano -, ele voltou-se contra a humanidade. Pretendia destruir a raça humana e começar tudo novamente. Mas foi despistado pelo esperto Prometeu.
O nome Prometeu significa "premeditação" e, de todos os Titãs imortais, ele era o mais esperto. Foi por isso que ficou do lado de Zeus contra o brutal Cronos e os outros Titãs. Apesar de Prometeu ser imortal, foi um herói da humanidade; alguns até dizem que ele criou os homens a partir da argila e água. Prometeu deu aos seres humanos o dom precioso do pensamento e ensinou ao povo muitas artes e habilidades, tal como estudar as estrelas em sua órbitas, e como usá-las para navegar pelos mares. Essa defesa da humanidade enraiveceu Zeus, e sua raiva chegou ao ápice quando Prometeu enganou os deuses para favorecer a humanidade. Prometeu abateu um boi, e o dividiu em duas partes, enroladas em couro. A porção maior continha apenas gordura e ossos; a menor tinha a carne. Prometeu designou a porção menor aos deuses, mas Zeus se queixou. Prometeu sorriu e disse: - Zeus, mais glorioso dos deuses, escolha o que quiser. É claro que Zeus escolheu a porção maior. Quando viu que tinha sido enganado, tirou o fogo da humanidade. - Deixe que comam carne crua, gritou. Mas Prometeu o enganou. Entrou no Olimpo, o lar dos deuses, roubou o fogo da carruagem do sol, e o levou para a terra, dentro de um talo de erva-doce. Então ele ensinou a humanidade como usar o fogo para cozinhar e manter o calor. Quando Zeus olhou para a terra e viu o brilho das fogueiras, caiu numa fúria terrível. Zeus vingou-se de maneira terrível de Prometeu e da humanidade por terem roubado o dom do fogo. Ele ordenou ao ferreiro coxo, Hefesto, que fizesse uma mulher de argila com a beleza de uma deusa imortal, mas que trouxesse azar para a humanidade. Todos os deuses lhe deram presentes, e a chamaram de Pandora, que quer dizer "cheia de dons". Zeus mandou Pandora de presente, não para o esperto Prometeu, mas para seu irmão idiota, Epimeteu, cujo nome significa "reflexão tardia". Prometeu tinha avisado seu irmão que não aceitasse nenhum presente de Zeus. Mas Epimeteu ficou tão encantado com a beleza de Pandora que a tomou como esposa. Epimeteu tinha ajudado seu irmão a distribuir muitos dons para a humanidade, e em sua casa tinha um vaso selado que continha os males da doença, velhice e vícios. Prometeu e Epimeteu tinham poupado a humanidade disso. Pandora não conseguia parar de imaginar o que havia naquele vaso, e um dia sua curiosidade foi demais. Ela abriu o selo. Do vaso saíram os maldições da humanidade, que enchem nossas vidas com sofrimento e infortúnio. Quando Pandora, em pânico, recolocou a tampa do vaso, uma coisa ainda ficou presa no fundo: Esperança, que a chamou. Pandora ouviu o choro triste e débil e soltou a Esperança no mundo para confortar a humanidade. Enquanto isso, Zeus planejava uma vingança ainda mais cruel para Prometeu. Zeus o condenou a ser amarrado em um rochedo nas montanhas, para sofrer com o sol escaldante e o frio gelado. E mais ainda, a cada dia uma águia com grandes asas ia bicar o seu fígado. Seu fígado crescia à noite, de forma que o tormento nunca acabava. Mas Prometeu não desistia. apesar de devastado de agonia, zombou de Zeus, dizendo: - Sou o único deus que sabe o segredo que vai lançá-lo no esquecimento, como a seu pai antes de você. Terá de me soltar se quiser salvar-se. Pois Prometeu sabia que se Zeus fizesse amor com a ninfa marinha Tétis, como pretendia, ela teria um filho mais forte que o pai, e o reino de Zeus terminaria. Para descobrir esse segredo, Zeus finalmente permitiu que seu próprio filho, Hércules, libertasse Prometeu. Como retribuição pela liberdade, Prometeu avisou a Zeus sobre Tétis, e ela acabou casando-se com um mortal, o Rei Peleu. O filho deles foi Aquiles, um herói da Guerra de Tróia.

Conto grego.

Primeiras coisas

Ao amanhecer do tempo, Ré(ou Rá - deus do sol) deu à luz a si mesmo. Sentindo que estava só, Ré cuspiu, e de sua saliva nasceram Shu, o ar, e Tefnut, a umidade. As união de Shu e Tefnut veio Geb, o deus da terra e Nut, a deusa dos céus. Das lágrimas de Ré vieram os primeiros seres humanos. Ele construiu as montanhas, fez a humanidade e os animais, os céus e a terra. A cada manhã ele se levanta e navega em seu barco, Sektet, através do céu. À noite, Nut o engole, e ao amanhecer ele renasce mais uma vez dele mesmo. A serpente Apep é sua inimiga, nascida da saliva da Grande Mãe, Neith. Re todas as noites combate Apep, a serpente do caos.
Alguns acreditam que um dia Apep conseguirá devorar Ré, e então o mundo terminará. Outros, que Ré ficará tão velho e cansado que vai esquecer quem é. E tudo que ele criou se transformará em nada.
E então, talvez, Ré novamente dê à luz a si mesmo.

Conto egípcio.

A árvore da vida

ODIN, o PAI DE TUDO, às vezes passeava por Midgard, a terra do meio, entre os homens. Ia disfarçado de velho, apoiado numa bengala, e retribuía a gentileza com riquezas, cortesia com sabedoria, e o mau trato com vingança.
A cada manhã seus dois corvos, Huginn e Munnin, voavam pelo mundo, lhe trazendo notícias da humanidade. O próprio Odin podia mudar sua aparência, e viajava sob forma de pássaro ou animal.
Contam-se muitas histórias sobre como o Pai de Tudo conseguiu sua grande sabedoria e poderes mágicos.
Para cada conquista houve um preço a pagar.

A Árvore do Mundo, Yggdrasil, é um freixo gigante que se eleva por cima do mundo.
Uma raiz está no horrível mundo de Niflheim, onde a serpente Nidhogg se alimenta dos cadáveres, e morde a própria Yggdrasil.
Uma Segunda raiz está no reino divino de Asgard, e lá moram as Norns, três velhas que governam o destino dos homens. Seus nomes são: Destino, Ser e Necessidade, e elas mantêm Yggdrasil viva, regando a raiz com a água pura da fonte do destino.
A terceira raiz está em Jotunheim, a terra dos gigantes. Por baixo dessa raiz está a fonte, onde a cabeça cortada de Mimir diz palavras duras.
Odin pagou com um de seus olhos para beber percepção e conhecimento dessa fonte. Mas foi da própria Yggdrasil que o Altíssimo, o Pai de Tudo, o Encapuzado, o terrível lanceiro, Odin de muitos nomes, obteve o segredo das runas, símbolos mágicos com os quais os homens podem registrar e compreender suas vidas.
Durante nove longas noites Odin ficou pendurado na árvore açoitada do vento, vazado por uma lança, oferecendo a si mesmo como sacrifício. Nem mesmo Ratatosk, o esquilo que sobe e desce a árvore transmitindo insultos da águia, no topo, para a serpente Nidhogg, no fundo, ofereceu-lhe comida ou bebida.
No final de seu sofrimento, Odin soltou um enorme grito e, agarrando as runas, caiu da árvore.
Quando levantou-se da morte, Odin sabia de muitas coisas escondidas do homem. Sabia como curar os doentes, sabia como cegar a espada de seus inimigos e como agarrar uma flecha em pleno vôo. Deus dos deuses, deus das batalhas, Odin cuida da humanidade.
Aos poetas ele dá goles do orvalho da poesia, fermentando há tempos pelos anões; aos guerreiros mortos em batalha, ele oferece uma recepção suntuosa nos salões dourados de Valhalla.


Conto nórdico.
Imagem: The Tree of Life - Gustav Klimt